Tenho uma amiga que é cega no sentido físico, mas possui uma visão que vai além daquela de muitas pessoas que enxergam. Fala-se muito em Inteligência Emocional e Inteligência Artificial. Hoje, quero falar sobre a Inteligência Natural.
Bruna possui uma percepção ampliada pelos outros sentidos. Isso não é novidade. O que me chama a atenção é a humanidade que sempre existiu nela.Há momentos em que não sei se sou sua mentora ou se ela é a minha. Em nossas conversas, esses papéis se invertem naturalmente. Afinal, quando existe abertura para aprender, ensinar deixa de ser uma posição e passa a ser uma troca.
Recentemente, Bruna concluiu um curso na área de cheiros e óleos essenciais, que exige percepção e sensibilidade. Outro aspecto que admiro é sua postura diante da vida: ela não se coloca no lugar de vítima.
Reconhece sua condição, desenvolve suas habilidades e constrói possibilidades. Isso me faz refletir sobre o momento atual.
A Inteligência Artificial amplia possibilidades, acelera processos e facilita tarefas. Mas existe uma diferença entre utilizá-la para potencializar nossas capacidades e permitir que substitua aquilo que deveríamos desenvolver em nós mesmos.
Quantas vezes deixamos de exercitar a criatividade, aprofundar ideias e encontrar nossa própria maneira de comunicar porque uma ferramenta pode fazer isso por nós?
Bruna é um exemplo de dedicação e preservação da própria essência. Ela é, de certa forma, o próprio prompt da vida: uma combinação única de experiências, percepções, escolhas e aprendizados.
A questão não é ser contra a tecnologia, mas compreender o lugar que ela deve ocupar. Use a Inteligência Artificial, desenvolva sua Inteligência Emocional, mas não abandone sua Inteligência Natural.
Em um mundo no qual tantas respostas estão a um clique de distância, precisamos preservar nossa capacidade de pensar, sentir, criar e expressar nossa identidade. Bruna talvez não enxergue o mundo como a maioria de nós, mas me ensina a perceber aquilo que muitas vezes deixamos passar.
HUMANIDADE É O SEU DIFERENCIAL. Essa é a tecnologia mais importante que temos. E precisa ser cultivada dentro de nós.
Com carinho,
Regiane
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